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terça-feira, 4 de junho de 2013

Músicas para Escrever LV, Collapse Under The Empire - Captured Moments

Hoje tive que ouvir música e escrever, imperativamente. São demasiado os infortúnios que necessito de expurgar do meu pensamento e tantos as vontades e visões que tenho que guardar bem gravadas, ainda que em cicatrizes para nunca me esquecer o que representam porque as cicatrizes são mais permanentes e incógnitas que a tatuagens.
As minhas noites oscilam entre pesadelos mórbidos e melancólicos e sonhos que desejava serem realidade. A ironia é que não quero acordar nem dos pesadelos, nem dos maravilhosos sonhos que com eles se alternam. Os pesadelos, quero resolvê-los e dar-lhes um final digno e os sonhos não os quero abandonar, ao ponto de não saber se, por vezes, são realidade ou imaginário e, nesses casos, apodera-se de mim a angústia quando desperto para dita realidade, que também não prefiro em detrimento dos pesadelos.
Num dos pesadelos paguei com o consentimento da minha lobotomia uma vida que queria salvar de um contínuo decepamento. E a anestesia, os perder dos sentidos era real que acabei por perecer num túnel numa manhã de nevoeiro e não terá sido um parecer no seu lato sensu, mas sim num stricto sensu que me terá abandonada num hospício perdido, de onde um dia me hei-de resgatar. Outras vezes a visão é demasiado trôpega e cansada que me encontro em lugares desconhecidos, estando só em cenários de um pós-apocalipse que levou para longe todos aqueles que conheço e não quero despertar, pois naquele pesadelo, ainda que assim o seja, consigo encontrar esperança para me perder na busca de alguém e, no oscilar da noite, essas personagens cruzam habilmente as fronteiras da noite que separam os sonhos dos pesadelos.
Eu sou o homem de lugar nenhum que busca incessantemente o bem e o mal, o infortúnio e a graça, o ódio e o amor, a dor e a cura, a escassez e a abundância, as chagas e o bálsamo porque tenho uma necessidade imperante em sentir-me vivo e a dor faz parte desse processo, a imunidade cria-se assim, os objectivos e os caminhos que seguimos traçam-se assim.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Músicas para Escrever XVI, Collapse Under The Empire - Violet Skies


Todos os humanos foram encaminhados para um enorme anfiteatro, em disposições diferentes e, ainda assim, não foi fácil a tarefa de predispô-los em lugares onde não conhecessem as pessoas que os rodeavam.
Não houve publicidades e o espectáculo preparava-se para começar.
Lentamente os holofotes iluminaram o palco e descortinado o enorme objecto que ocupava a posição central daquele palco: uma ampulheta.
Lentamente a areia ia caindo da âmbula superior para a âmbula inferior.
Sussurros foram-se apoderando da plateia, que se questionava entre si de qual seria o propósito daquele espectáculo. Aos poucos, todos se foram abstraindo daquele objecto que ditava o passar do tempo. E assim que cada grão passava de uma âmbula para outra, uma história era narrada, um desabafo encontrava conforto, um segredo encontrava um novo confidente, um remorso desaparecia, uma lágrima corria, um sorriso era esboçado, um abraço era dado, um beijo era trocado, um desejo de vingança era esquecido, uma reconciliação acontecia, um sonho era partilhado, uma nova esperança nascia. Não era permitido silêncio!
Assim se passaram 24 horas e quando o último grão de areia caiu, ninguém queria partir. A Humanidade estava restaurada!