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domingo, 2 de junho de 2013

Músicas para Escrever LIV, Fever Ray – If I Had a Heart


Ele nunca disse nada, não porque as palavras fossem poucas ou porque sofresse de mudez em determinados momentos. Não disse, nem dizia, porque, no seu entendimento, não deveria afectar as decisões ou as acções das pessoas que o rodeavam. Este era o seu meio de respeitar a liberdade total de quem conhecia.
O seu silêncio de liberdade era considerado muitas vezes como uma apatia profunda e estagnação emocional. Na verdade, tinha os seus momentos de apatia e solidão por ser incompreendido, no entanto, também compreendia as pessoas e estava consciente da condição de repressão sentimental. Ele próprio havia diagnosticado essa patologia em si mesmo.
Muitas vezes não falava porque não lhe perguntavam e não se lembrava de que às vezes era necessário ceder.
Muitas vezes não falava porque algo o prendia bem lá dentro.
Mas ele não era apático. Ele adorava as pessoas e queria conhecer sempre mais pessoas e, de facto, conheci-as, mas os quilómetros de distância eram uma constante sempre que conhecia alguém. Muita gente pensaria talvez que seriam as pessoas erradas, mas isso foi algo que nunca lhe ocorreu. Ele próprio havia sido desde sempre uma deambulante, aqui e ali, sem um lar fixo, pois qualquer sofá poderia ser o seu lar perfeito.
Um dia apoderou-se dele uma enfermidade gravíssima e foi aí que tudo começou a desabar, tornou-se um desgraçado mendigo de emoções que não sabia processar ou expressar. O seu mundo já não era o mesmo. Uma fobia social foi-se apoderando dele. Já não falava em público. Já não caminhava de cabeça erguida. Os seus projectos já não saiam mais do pensamento, a vontade estava perdida ou esquecia-se sempre dele para onde quer que fosse e isso era o que mais o dilacerava e os seus olhos estavam baços como nunca haviam estado, tinham perdido o brilho de tantas lágrimas que tinham salgado a pele áspera do seu rosto e, em consequência disso, a visão havia-se deturpado, vendo apenas sombras em alguns momentos.
Um dia, estando a passear numa falésia, tentando encontrar respostas, aproximou-se demasiado do limite e, esquecendo a sua vontade viver, caiu e não mais foi visto. Quero acreditar que encontrou conforto naquele mar imenso tão salgado quanto as suas incontáveis lágrimas.





domingo, 2 de dezembro de 2012

Músicas para Escrever V, Mogwai - Friend of the Night



Por que baila sozinha a bailarina sobre a sua caixinha de música e eu me deixo ficar estático a apreciar o seu movimento elíptico e perfeito? É tão grande o meu egoísmo de me deixar pelo comodismo de apenas dar à corda outro e mais outro bocadinho, noite fora, até que o dia nasça e seja hora de voltar à minha rotina, sempre com aquela silhueta a ocupar-me o pensamento, desejando que o dia rapidamente acabe para que eu possa recolher-me no meu minúsculo quarto e passar mais uma noite a fazê-la dançar para mim. É a minha companhia, é o meu perder tempo, numa infindável busca pela inspiração e companhia de alguém. Hoje sinto algo diferente bem cá dentro, como se de uma vontade diferente se tratasse e já não quero dar mais à corda e cansar essa bailarina, ou fazer com que ela se canse sozinha apenas em função de uma vontade alheia e egoísta. Hoje, mais do que qualquer coisa, gostava de fazer parte desse movimento elíptico e partilhar a sua dança, delegando a tarefa de dar vida a esta dança a outro alguém que não se importasse de dar à corda nesta velha e mágica caixinha de música. Mas antes, permite-me, bailarina, que restaure esse sorriso dos teus lábios que o tempo fez perder.




domingo, 15 de abril de 2012

Inversão dos perigos

Nos dias de hoje, o perigo não está em meter-se na boca do lobo, mas sim em meter-se na toca do coelho...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Participação em concurso de Escrita

Olá,

Sei que já demasiado em cima da hora, no entanto, decidi participar no concurso Conte Connosco do Santander Totta, com o poema "Morte Desmedida, A Ironia".
Seria óptimo contar com o vosso apoio e crítica!

Para tal basta entrar neste link.

Depois, basta fazer login no canto superior direito "Login with Facebook" e votar na tecla vermelha (lembrem-se que o Gosto não é a mesma coisa que VOTAR.) Se quiserem, podem votar, um vez por dia! ;)

Bem hajam! Grande Abraço

António Campos Soares

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Joane > Joanne (analogia analfabeta)

Fui ao Continente comprar um pack de minis para uma festa e, como estava a decorrer a campanha do Banco Alimentar Contra a Fome, aceitei um saco para comprar algo e dar o meu contributo.
No momento de pagar, pedi um factura relativamente aos alimentos, pelo facto de a compra, naquele caso, e sem incluir a cerveja, ser considerada uma doação e, eis, que a rapariga da caixa registadora me pergunta:

- Joane, escreve-se com 1 ou 2 "enes"?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Lasca do dia I

Braga, McDonald's (junto à UM), 07.01.2011

Mário Jorge observa com deleite o CBO que pediu.
- Não comes, meu? - perguntou a Joana.
- Gosto de apreciar bem antes de comer! - reponde o Mário Jorge, com os olhos focados no seu CBO.
- Quase aposto que vieste cá ontem também! - disse eu, com o meu tom de gozo habitual.
- Ó, foi só para vir buscar um cheese! Eu 'tava mesmo cheio de fome, tinha que apanhar o autocarro e tinha um longo caminho pela frente... - defendeu-se o Mário, depois de trincar o CBO.
- Fogo, Mário, pareces um drogado, sempre a inventar desculpas! - retaliou a Catarina de repente, garantindo, deste modo, para si mesma a atribuição do prémio da Lasca Do Dia!


"Fogo, [...], pareces um drogado, sempre a inventar desculpas!"