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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Músicas para Escrever LVI, Mumford & Sons - Awake My Soul



Era o fim de tarde de um dos últimos dias quentes de verão, sentou-se na laje do túmulo que nunca quis ver edificado, tirou um papel do bolso e leu-lhe aquele carta, a sua última carta, a carta que queria que fosse lida, que lhe queria enviar mas que, por infortúnio da vida, nunca lhe havia de chegar.


"Morreste-me demasiado cedo…

Como aquele infante nascido demasiado prematuro, que ninguém acredita que sobreviverá, mas sobrevive, e tu morreste-me!

A questão não se põe no quando, mas no facto de que não me deverias ter morrido.

As pessoas como tu não merecem morrer assim, cedo e em agonia. As pessoas como tu são genuínas, constituídas por uma matéria tão pura que se fossem escarnadas, laminadas, analisadas ao mais ínfimo dos pormenores, não lhes seria encontrada uma ponta de maldade ou qualquer tipo de mácula.

Morreste-me demasiado cedo, quando precisava de ti e porque ainda preciso. E se não me tivesses morrido, os meus monólogos não seriam tantos nem tão longos e o meu olhar não se perderia tanto na linha do horizonte à espera de ver-te chegar um dia, ou nas longas noites de insónia a imaginar como seria cada momento que passei se não me tivesses morrido.

Estou certo que todos teremos o momento de largar este corpo e eu não me atreveria a pedir que ficasses cá para sempre, pois, isso seria sobrecarregar-te de sofrimento. Se não me tivesses morrido, apenas pediria que partisses um pouco antes de mim porque, se já sofri uma vez com a tua partida, voltaria a sofrer, no entanto, de maneira diferente porque teria vivido muito mais ao teu lado.

Aquilo que pensámos ser um enorme círio, cujo pavio poderia arder durante uma vida, tornou-se numa pequena vela que fulminantemente se consumiu.

Morreste-me demasiado cedo porque és insubstituível. Cada pessoa é única, no entanto, e concordarão comigo, há pessoas que, apesar da sua característica una, podem ser substituídas, dependendo das suas circunstâncias, mas tu és insubstituível, não importando o lugar, o dia ou a circunstância.


Morreste-me demasiado cedo ontem, hoje e amanhã porque a tua morte é uma ferida sem cura que vai infeccionando cada vez mais com a alastrar do tempo e se retirar a minha camisola verás que tenho já meio corpo com chagas abertas. Vou acalmando a minha dor lambendo essas chagas com memórias, mas essa cura não se tem mostrado eficaz.

Morreste-me demasiado cedo e a incerteza de saber se me ouves enquanto te leio esta carta também me corrói porque sou um homem de pouca fé, mas hoje, que te leio, quero acreditar que me ouves, ainda que não saiba se eventualmente, de alguma forma, me responderás.


Dadas todas as incertezas da vida, e sem saber para onde me levam as marés do tempo, despeço-me num até já porque o adeus fere-me e remete-me novamente à tua despedida, o dia em que essa chaga abriu e começou a alastrar em mim como uma peste.



Com amor,

Até já!"


Dobrando novamente a carta humedecida pelas lágrimas que lhe foram caindo, guardou-a novamente no bolso. Desse mesmo bolso tirou uma pequena caixa de fósforos, acendeu uma vela e despediu-se. Não tinha dado três passos quando voltou para trás, retirou a carta do bolso e deixou-a em cima da vela para que ali se consumisse.




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Músicas para Escrever VII, Takahiro Kido - Smile - Spotter Chronicle (Fleursy Music)



E assim acelera o batimento cardíaco, arrastando consigo a respiração e todas as sensações se tornam  desmesuradamente perceptíveis porque a pele não hesita em tornar-se o veículo de um sensibilidade imensa capaz de absorver o mais leve dos toques. E assim permaneço, quieto, estático,numa tentativa de sentir e guardar, através dos sentidos, sentimentos, emoções, tudo aquilo que possa restaurar um interior que não é mais do que um frágil palácio de fino e puro cristal do qual apenas resta um esqueleto.
Milhares de estilhaços rodeiam todo esse esqueleto que resta e, agora que os dias, outrora insistentemente dolorosos, tendem a não se inibir debaixo de um vasto manto de algodão negro saturado de amarguras e desassossego encharcado de lágrimas, que lentamente se vai dissipando. Esses estilhaços brilham incessantemente num inebriante convite a um recompor.
Está na hora de reconstruir esta ruína e mostrar de novo esplendor e aí voltar a acolher fervorosamente, é hora de cultivar novos jardins ao seu redor, repletos de fragrâncias que erradiquem odores de mal-estar, novos pomares cujos frutos saboreiem bocas azedadas pela infelizes circunstâncias,  é hora de fazer brotar novas fontes que matem a sede de quem entretanto se esqueceu do que é sentir. E aí, a tristeza não morrerá à entrada desse Paraíso, convidá-la-ei a entrar e sorrirei-lhe-ei quando ela descobrir que, afinal, os lábios poderão ter outra expressão, que não mais quererá trocar.





domingo, 2 de dezembro de 2012

Músicas para Escrever VI, Alcest - Souvenirs d'un autre Monde


Quando a insónia decide partilhar o leito comigo sem ser convidada e sem ter a amabilidade de me dirigir uma única palavras, o relógio é a minha melhor e também pior companhia. Relembra-me que a hora de sair da cama está cada vez mais próxima mas também me prega as suas partidas, parecendo arrastar-se, quando me escapa a atenção. Para não mencionar também que a sua maneira de me contar histórias é demasiado monótona e, ainda assim, não consigo adormecer como numa daquelas aulas desprovidas de interesse. Em outros momentos esse objecto que mede o tempo, uma e outra vez, sem se cansar de repetir a mesma tarefa vezes sem conta, brincaria comigo de outra forma, acelerando-se o mais que consegue e haveria algum "tic-tac" sarcástico sobre o meu eterno pensamento"passou tão rápido". É, então, nesses momentos, que são fugazes como estrelas cadentes e em que todos os desejos são pedidos, que desejo ser um fantasma. Isso mesmo, um fantasma. Desejo-o desde que ouvi o "Doctor Casares" descrever esse "acontecimento" no filme "El Espinazo Del Diablo". Sim, queria ser um fantasma ainda que fosse "um instante de dor, talvez", pois, como dor, poderia ser qualquer outro "sentimento suspenso no tempo" que "voltaria a repetir-se uma e outra vez", quem sabe, porque sobre a vontade não há limites. E esse seria eu, sem fazer contas ao tempo.




sábado, 1 de dezembro de 2012

Músicas para Escrever IV, Ludovico Einaudi - In Un'Altra Vita



São luzes de esperança estas que entram pela janela deste quarto onde estou preso. O fim é inevitável, tão inevitável que me acorrentaram a esta cama ferrugenta  Não recordo a última visita que tive, apenas lembro as suas palavras "adeus, voltaremos", no entanto, sempre soube que o "adeus" não retribui esperança porque faz com que a vontade desapareça. As únicas visitas que dão consolo são estes escassos e irreverentes raios de luz que irrompem pelos pequenos espaçamentos que alguém permitiu que existissem nas grades de uma minúscula janela e se esse alguém soubesse a felicidade que isso dá ou deu a quem já por cá passou, não as teria feito assim. Gosto desses raios de luz porque, quando vêm com mais vigor, aquecem-me o corpo como um forte abraço em que dois corpos sentem a troca de temperatura e insistem em perpetuar esse momento para que não seja apenas um instante. Gosto desses raios de luz porque insistem, mesmo que chova ou o céu esteja negro, em visitar-me. Gosto deles, apesar da inspiração que a noite me dá e pelos seus sonhos. Gosto desses raios de luz, acima de tudo, porque voltam sempre. Despedem-se apenas num "até já" e quando desperto e abro os olhos, esses raios de luz são a primeira coisa que vejo, são as carícias que me acalmam a dor, são os primeiros e únicos beijos que recebo. O fim é, pois, cada vez mais próximo e já não preciso de mais visitas. Apesar de venerar a capacidade de sonhar, poderosa expansão de imaginário inconsciente que a condição física não me tira, decidi que não quero partir num sonho, tranquilamente sem dar por isso. Quero que a minha partida seja no momento em que essa luz me abraça e lentamente me deixa fechar os olhos depois de sussurrar "até já!"





quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Flor de Inverno



Neste Inverno agreste,
Onde viver é vitória,
Irradia a criatura,
Semente do coração do guerreiro,
Vítima da injustiça.
Assegura o seu auge não temendo a adversidade.
Vive a nova estirpe inconformista,
Eis, a Flor de Inverno.


in "Flor de Inverno", António Campos Soares
Foto por António Campos Soares

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Amargura

O amargo da vida é saber que, mais tarde ou mais cedo, nos conformaremos e acomodaremos. Encaixotaremos os nossos sonhos e aspirações no sótão e, um dia, quando fizermos limpezas a fundo, esses caixotes de conteúdos preciosos serão postos na rua para serem levados pelo camião do lixo e serão sepultados num aterro qualquer muito antes de nós. Se isso me acontecer, só espero que alguém chegue primeiro que o camião do lixo e os aproveite, dando-lhes uma nova vida.

domingo, 15 de abril de 2012

Inversão dos perigos

Nos dias de hoje, o perigo não está em meter-se na boca do lobo, mas sim em meter-se na toca do coelho...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pequenas faíscas com grandes consequências...

De repente, aquele beco escuro em que se escondia foi iluminado pelo clarão do fósforo que acendeu. Respirou fundo, ajoelhou-se e acendeu o rastilho. Encostou-se à parede e fechou os olhos...
O rastilho ia-se consumindo, a fome desapareceu, as feridas curaram-se, o medo dissipou-se, a tranquilidade instalou-se, voltou a sonhar...
O estrondo despertou-o, o estrondo abalou-o, o estrondo era maior que o esperado.

De repente, todos os becos escuros em que se escondiam foram iluminados pelo clarão dos fósforos que todos acenderam.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011

A escassos dias de terminar o ano, aqui fica o meu balanço de 2011:

Em Janeiro, os cortes orçamentais na educação começam a ameaçar severamente o ensino privado e cooperativo. O meu emprego começa a estar em risco.

Em Fevereiro, assinei o contrato com a editora Atelier de Letras para a publicação do meu segundo livro. É também lançado o primeiro videoclip de Head Citizen.

Em Maio, os Head Citizen entraram nos Ultra Sound Studios para gravarem o primeiro EP.

Em Julho, foi rodado o segundo videoclip dos Head Citizen para o tema "Noir".
Este mês ainda, fui chamado ao gabinete de recursos humano de um dos sítios onde leccionei para me notificarem que no próximo ano lectivo muito provavelmente não renovariam o meu contrato de trabalho.

A 23 de Agosto, os meus pais celebraram as suas Bodas de Prata dos e a minha irmã, Ana Pedro, foi baptizada.
A 31 de Agosto cessaram os meus dois contratos de trabalho, com nulas esperanças de serem renovados.

O dia 1 de Setembro foi o meu primeiro dia de desemprego e confesso que naqueles primeiros dias não estava muito consciente da minha situação, talvez por ser demasiado optimista. No 2 de Setembro, completei 23 anos.

Em meados de Outubro, conclui oficialmente a minha segunda licenciatura, Línguas e Literaturas Europeias. Neste mês ainda, soube que não fui admitido no mestrado em que pretendia ingressar (Foi o meu primeiro NÃO no âmbito dos estudos). Outubro foi também um mês de praia e bons mergulhos.

Em Novembro, continuei a contar os dias, um a um, em que não recebia uma resposta a alguma das minhas candidaturas de emprego. Em grande parte, culpo o Ministério de Educação pela não actualização das listas de licenciaturas que conferem habilitação própria.

Em Dezembro, continua a contagem e o optimismo vai escasseando e assim culminam quatro longos menos de enorme desalento.

Relativamente a 2012, não haverá muito para dizer, mas aqui ficam algumas novidades e planos:

Continuarei à procura de emprego.
Será publicada a minha segunda obra.
Os Head Citizen terão o trabalho de estúdio concluído e esperamos fazer o seu lançamento, assim como publicar também o aguardado videoclip do tema "Noir".
Voltarei a tentar o mestrado que pretendo seguir e, caso não seja admitido, começo a pensar em fazer as malas e procurar um país que me receba melhor, que dê valor à formação em que investi, à formação que eu paguei, e muitos outros portugueses pagaram, mas que não está a ser recompensada pelo seu esforço.

"Every direction leads me away" Home, Foo Fighters

No entanto, apesar de todo este clima de inquietação e desassossego, façamos pela vida, deixemos a nossa marca e lutemos!
Bem hajam! Bom 2012!
Um abraço amigo,

António Campos Soares

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Participação em concurso de Escrita

Olá,

Sei que já demasiado em cima da hora, no entanto, decidi participar no concurso Conte Connosco do Santander Totta, com o poema "Morte Desmedida, A Ironia".
Seria óptimo contar com o vosso apoio e crítica!

Para tal basta entrar neste link.

Depois, basta fazer login no canto superior direito "Login with Facebook" e votar na tecla vermelha (lembrem-se que o Gosto não é a mesma coisa que VOTAR.) Se quiserem, podem votar, um vez por dia! ;)

Bem hajam! Grande Abraço

António Campos Soares

sábado, 25 de junho de 2011

Ida ao Dentista =)



Eu pratico o "Devias ter vergonha!"
E é altamente =)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Joane > Joanne (analogia analfabeta)

Fui ao Continente comprar um pack de minis para uma festa e, como estava a decorrer a campanha do Banco Alimentar Contra a Fome, aceitei um saco para comprar algo e dar o meu contributo.
No momento de pagar, pedi um factura relativamente aos alimentos, pelo facto de a compra, naquele caso, e sem incluir a cerveja, ser considerada uma doação e, eis, que a rapariga da caixa registadora me pergunta:

- Joane, escreve-se com 1 ou 2 "enes"?

domingo, 10 de abril de 2011

Ainda podemos travar o acordo ortográfico...

"Para quem acha que o Acordo que agora se propõe é bom, ficam aqui
algumas razões:

1. Este é apenas o 1º de outros acordos que se seguirão, diz-se até
que este foi insignificante, se este prosseguir, os outros serão
imparáveis. O que virá nos próximos? Se lá se fala "tu quer" (Gaúchos)
ou "você quer" acho que iremos um dia falar igual.

2. O "C" de Directo serve para algo. Para os Brasileiros é mudo porque
eles acentuam todas as sílabas como os Espanhóis. Nós não, precisamos
de ter o "C" para nos dizer que "directo" é lido como "diréto", senão
seria como coreto ("corêto"), cloreto ("clorêto"), luneta ("lunêta"),
não dizemos "lunéta" nem "cloréto" nem "coréto" não é? Vamos ler
"direto" como? "dirêto"? Enfim, o "C" serve para algo cá, no Brasil
não, mas cá serve.

3. Vai ser bonito falarmos Egipto com o P e lermos Egito sem o P. E
como as crianças aprendem o que é Egipto na escola e não em casa (não
andamos a falar no Egipto a crianças de 3 ou 4 anos), irão aprender a
falá-lo como "Egito" sem "P", mesmo que os pais falem com "P".

4. Vamos ensinar um Inglês como? Dizer-lhe «olhe, você aqui lê EGITO
mas NESTE CASO específico, fale "EGIPTO" finja que existe lá um "P"
imaginário, finja que é como o "EGYPT" do seu país, mas escreva só
"EGITO" não tente perceber, o Português é assim! E olhe há egípcios,
egiptólogos, tudo tem P mas no Egipto é EGITO, sem "C"!» - É isto que
vamos dizer ao ensinar Português?

5. E que mal tem "pêlo" ter o acento? É mais bonito escrever: "agarrar
o cão pelo pelo"?...

6. Não há qualquer desvantagem em em existir Português-PT e
Português-BR, como há Inglês diferente em UK e USA (doughnut e donut),
como com o Espanhol onde "coche" na Espanha será "carro" na América do
Sul, etc. Cá só há desvantagens e custos com o Acordo. Seremos o único
ex-colonizador a escrever e falar como a colónia (por algum motivo
obscuro). Não nos entendemos assim? Só pouparíamos dinheiro e
neurónios.

7. Peçam a um Brasileiro para dizer "Peniche" e verão a palavra que
sai de lá. Isto porque o Português-PT tem muito mais riqueza fonética
e até linguística que o Português-BR. Aprendemos facilmente o
Português-BR e eles não aprendem tão facilmente o Português-PT porque
lhes falta essa prática no range maior de sons que a nossa língua
contém, havendo até quem diga que somos os melhores a aprender línguas
e sotaques devido à riqueza da nossa língua. Vamos aproximar-nos do
Português-BR porquê?

8. Corretora Oanda, movimenta triliões por ano, é a maior corretora
cambial do mundo, traduziu os seus manuais para Português-PT. Isso
mesmo, nada de Acordo, nada de Português-BR. Português-PT. Porque
vamos nós andar a alterar o Português e mostrar-lhes que afinal
fizeram a escolha errada? Entre muitas outras empresas.

9. Querem que os livros escolares de 2012/13 sejam já com o novo
acordo. As crianças serão ensinadas neste primeiro passo a lerem e
escreverem de forma diferente. Não é assim opcional a mudança como nos
querem fazer querer. A mudança é obrigatória, é imposta nas escolas,
já está nos media, etc. Não podemos escolher continuar como estamos
porque daqui a uns anos será mesmo errado. Os Brasileiros cortam "C" e
"P" e podem ler da mesma forma, nós não!Esqueçam a dupla grafia...

10. O que é que o povo mandou? Inquéritos em que umas 65% das pessoas
rejeitaram o acordo, umas 30% não saberem o que é e o resto diz que
sim? E que salvo erro umas 28 em 30 universidades e editoras
consultadas disseram que não? Além de muitos linguístas? Porque é que
é aprovado o acordo contra a vontade do próprio povo? Mesmo uma
petição com 120.000 assinaturas foi apresentada a 50 deputados dos
quais 49 faltaram e uma apareceu e ignorou. Para ir mesmo à
Assembleia, só com uma ILC!

11. Os Portugueses devem estar mesmo no fundo. A falar do glorioso
povo do passado e ninguém quer saber da língua. Os Espanhóis nunca
aceitariam um acordo destes para os obrigar a falar como os
Argentinos! Os Bascos, são apenas uns 100.000 ou 200.000 a falar
Basco, nunca desistiram até ao fim e agora têm até a língua Basca como
oficial no seu pequeno "país". Só o Português é que deixa andar e
desleixa a língua e deixa que outros façam o que querem dela...

12. Estamos nós a defender letras como "C" em Directo que realmente
não são inúteis, têm a sua função, e lá fora há línguas que mantêm
letras desnecessárias, como "Dupond" ou "Dupont" em Francês que nunca
apagaram nem apagarão o T só porque não é lido!! Vamos apagar porquê?
Somos burrinhos e é difícil para nós percebermos para que servem?

13. Há mais falantes nativos de Inglês mais Espanhol juntos (Espanhol
mais ainda que Inglês), que passam de um bilião de nativos, e mais de
2 biliões de falantes não nativos das mesmas, do que os 200 milhões de
Brasileiros.Estarmos a afastar a língua de 2 biliões de pessoas para
ficarmos mais próximos do Brasil é disparate. Mais uma vez, para
facilitar a vida aos Brasileiros, vamos dificultar a vida a quem quer
aprender Português lá fora e tornar a língua inconcisa como visto
acima. Vejam: "Actor" aqui, "Actor" no Latim, "Acteur" no Francês,
"Actor" no Espanhol, "Actor" no Inglês, "Akteur" no Alemão, tudo com o
"C" ou "K", e depois vêm os Brasileiros com o seu novo: "Ator" (devem
ser Influências dos milhões de Italianos que foram para o Brasil e
falam "attore"). Algumas outras: Factor, Reactor, Sector, Protector, Selecção, Exacto, Baptismo, Excepção, Óptimo,
Excepto, etc., "P", "C", etc. Estamos a fugir das origens, do mundo,
para ir atrás dos Brasileiros. Quanto amor não?

14. Alguém quis saber do resto das colónias que não falam da mesma
forma que os Brasileiros? Só o Brasil é que interessou ao Acordo (já
que Portugal foi o que cedeu).

15. O Galego-Português da Galiza, o da variante da AGLP, é mais
parecido com o Português de Portugal neste momento que o próprio
Português-BR. Os Brasileiros têm alterado a língua sem se preocupar
com o resto do mundo, porque é que temos de ser nós a pagar pelos seus
erros e prepotência?

16. ODEIO instalar um software e ver que vem tudo em Português do
Acordo, e fóruns também, em que uma votação é uma "ENQUETE" (sei lá
como foram inventar isto), em que um utilizador é um usuário, em que
"apagar" é "DELETAR" (do "Delete" Inglês, por incrível que pareça nos
seus dicionários), ou Printar, ou etc. Por vezes sou obrigado a
utilizar softwares em Inglês para aguentar... Como haverá agora
Português-PT e -BR ao gosto de cada um, se só existirá um "Português"?
Eu quero sites e softwares que eu entenda e na minha língua e isso SÓ
É POSSÍVEL mantendo o -PT e o -BR separados! Senão será tudo misturado
para sempre! E depois lá vamos nós
"enquetar" (votar) e coisas assim...

17. A prova do ponto 16, é que o próprio Google Translator já só tem o
"Português" e tudo o que escreverem ficará no Português-BR, e até
"facto" que ainda não mudará já aparece lá como "fato", é bom que nos
habituemos pois será o que virá nos próximos acordos, bem como "oje",
"abitação", etc.

18. No Brasil mesmo não sofrendo as alterações que temos, há milhões
contra o acordo também por coisas tão insignificantes como o acabarem
com o "trema"!!! Vejam na net!! E nós com alterações tão brutais,
ainda estamos contentes e sem fazer nada!!!

19. Existirão sempre pseudo-intelectuais em todas as línguas que irão
dar a vida pelo acordo (sem querer ofender ninguém), achando que é o
ideal, e que salvará o país e que dará emprego ao país, e até que sem
isto a lígua Portuguesa morre e haverá um "Brasileiro". A variante
Português-BR nunca poderia ser uma língua independente como
"Brasileiro" só pelas alterações que fazem, não há esse perigo, teria
de ser radicalmente mudada (nunca acontecerá) de propósito para o
efeito. Não inventemos. A variante Português-BR nunca poderia ser
considerada outra língua. E não deixem que pseudo-intelectuais nos
tratem como burros só porque defendemos a língua.Tudo o que é chicos
espertos e pessoal com manias irá para a defesa do acordo (existirão
também pessoas decentes a defendê-lo é certo).

20. Nada impede que haja uma espécie de concordância mais simples em
que digam apenas que incluímos palavras deles e nossas num dicionário
universal mas SEM IMPOR regras a ninguém, e que no futuro cada um dos
países só alterará a SUA PRÓPRIA variante com acordo dos outros, sem
impingir aos outros essas mudanças, apenas para evitar que as mudanças
no Brasil possam ir ainda mais longe e arruinar ainda mais o
Português. Nada impede isso.

21. Com o Português unido, qual ficará a bandeira oficial? Já vejo por
todo o lado a bandeira do Brasil no Português, mas se tivesse Brasil
para Português-BR e a Portuguesa para Português-PT, ainda era
aceitável, apesar de sabermos que só há uma bandeira oficial que é a
Portuguesa, mas é difícil impedir o patriotismo Brasileiro, mas com
tudo unido, haverá a tendência das empresas para adoptarem a bandeira
do país que tem mais população, o Brasil, mais valia termos variantes.

22. Cada vez que me lembro que lá já escrevem quase todos "mais" em
vez de mas" porque falam no fundo "mais" com o sotaque e eles têm a
tendência de passar para a escrita a forma como falam, no futuro não
será de admirar que nós sejamos em futuros acordos obrigados a
escrever também: "eu fui lá MAIS não vi ninguém"...

23. EXISTEM FORMAS DE TRAVAR ESTE ACORDO! Petições ou clicarmos num
LIKE no Facebook não faz nada. Há uma ILC em movimento que será
entregue em breve, prazo final para impedir esta desgraça. É chato
porque temos de imprimir um miserável papel e enviá-lo, porque é
entregue na Assembleia, mas quem é que diz ser contra e fica sem agir?
Se 20 pessoas assinarem, fica a 2 cêntimos cada o envio dessas
assinaturas para o correio. É só colocar num marco de correio! Houve
uma ILC antes, e entrou na Assembleia, e anulou uma lei de
Arquitectura. As ILC's podem ter esse poder. É uma forma do POVO
LEGISLAR. Do povo criar leis, e acabar com leis. O governo fez isto
sem apoio de ninguém e nós podemos tentar fazer algo para corrigir.

24. Há mil outras razões para dizer não ao acordo, mas... para quê?
Estas não chegam?

25. Para terminar fica uma frase de Edmund Burke: "Tudo o que é
necessário fazer para que o mal triunfe, é que os homens bons nada
façam." Neste caso, tudo o que é necessário fazer para que o Acordo
triunfe, é que NÓS continuemos à sombra da bananeira, e deixar o tempo
passar. Porque o Acordo foi aprovado e se ninguém lutar contra ele,
ele já cá anda.

Se estas razões forem sufientes para vocês, ou se pura e simplesmente
querem um Acordo mais bem feito, então vamos agir. Basta uma
assinatura e as instruções estão no site acima.

Nada é garantido à partida mas vamos-nos ficar sem dar luta?

Se não quiserem assinar, por favor enviem aos vossos contactos.

SOMOS PORTUGUESES E TEMOS DIREITO A MANTER A NOSSA LÍNGUA

Vítor Cardoso
http://www.aquarianus.blogspot.com"

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ainda vivo...

É uma dor dura e cruel, sentir-me como uma estátua que vai acumulando musgo onde a chuva já corroeu. É assim que me sinto. As pessoas passam, olham, conhecem mas não tiram retratos, com em outros tempos, não revelam afecto. Provavelmente rodiei-me de circuntâncias que me levaram a esculpir-me em algum sítuo perigoso ou inacessível. Mas ainda vivo...

terça-feira, 29 de março de 2011

Poemas de Nós - Antologia Poética

Um agradável e nostálgiso ebook onde aparece o poema meu, Velha Amiga (p. 76), conforme a sua primeira publicação!
Desde já, bem hajam pela iniciativa!

Myebook - Poemas de Nós - Antologia Poética - click here to open my ebook

Abraço

segunda-feira, 28 de março de 2011

¿Qué es un fantasma?

"¿Qué es un fantasma?
¿Un evento terrible condenado a repetirse una y otra vez?
Un instante de dolor, quizá.
Algo muerto que parece por momentos vivo aún.
Un sentimiento suspendido en el tiempo
Como una fotografía borrosa,
Como un insecto atrapado en ámbar.
Un fantasma,
Eso soy yo.”


in El Espinazo del Diablo

segunda-feira, 21 de março de 2011

Bilhete de Ida (sem Volta)


O meu nome é Fidalgo Maldição e foi aqui que nasci e é daqui que um dia partirei. Toda a minha existência se resume a isto: um banco de madeira, neste velho apeadeiro, que já era velho quando aqui nasci.
Foi neste banco de madeira, em que estou sentado, que cresci, que aprendi a falar, que brinquei, que aprendi a ler e a escrever, a falar diferentes línguas, foi aqui que conheci infinitas pessoas, que ouvi histórias, de todos os lado um pouco, como uma pequena lição de cada vez.
O pequeno abrigo para os dias de chuva, dele já pouco resta, e a placa com o nome do apeadeiro, já nada diz; quando aprendi a ler, já o vento tinha levado essa palavra com que alguém havia baptizado este local.
Apesar de tudo e, cá para mim, este é um apeadeiro de luxo. Há um comboio para cada pessoa. Há dias em que passam poucos comboios, mas outros dias, nem os consigo contar e a fila de pessoas é tão grande que a perco de vista. São comboios de todo o tipo: uns muito lentos e metálicos, ainda a vapor, outros extremamente rápidos e coloridos.
Aos poucos, as pessoas que conheço vão também apanhando o seu comboio…algumas espreitam pela janela e acenam, sorriem; outros entram, com o rosto lavado em lágrimas e não lhes sigo mais o rasto, que desaparece com o comboio na linha do horizonte…sem um adeus!
Não me deixam viajar com elas, dizem sempre que não tenho idade para isso, que ainda não acabei o meu trabalho ou que tenho isto e aquilo para fazer…às vezes todos os motivos parecem desculpas vagas, mas prefiro não pensar que as pessoas se tenham cansado de mim.
Por que não me deixam ir também?
Todos apanham um comboio, não quero ficar sozinho.
Por que tardam em voltar?
Bem, talvez os bilhetes de volta estejam esgotados…

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Memórias de Café XIII - As pombas voaram

Tudo começou quando, eu tinha 9 anos e o meu avô foi buscar, ao pombal de um tio, um casal de "borrachinhos", o macho era totalmente preto e a fêmea castanha.
Uns meses depois, a fêmea morreu e o meu avô voltou ao meu tio e trouxe outra fêmea, cor de mel.
Nasceu um borrachinho e a fêmea fugiu, no entanto, o macho conseguiu vingar o filho.
Continuamos a arranjar mais pombas, uma dadas, outras iam nascendo, outras iam aparecendo. Sempre quis ter uma pomba branca e castanha e um dia apareceu uma que por ali ficou.
Havia pombas brancas de leque, cinzentas, castanhas, pretas, pombos correio...Eu estava orgulhoso de todos aqueles animais e todos os dias ia ao pombal ver se havia algum casal novo com ovos ou se havia nascido mais algum.
Passava o tempo livre a juntar caruma para levar para lá e a fazer casulos para que as pombas pudessem fazer ninhos.
Depois do meu avô falecer, o resto da passarada foi desaparecendo...mas as pombas ficaram por ali!
Havia dobrado os cuidados com os bichinhos.
Fiquei orgulhoso no dia em que consegui que associassem o assobio à comida!
Entretanto, quando entrei para o seminário, passei a vir a casa somente uma vez a cada duas semanas.
As pombas foram parando de se reproduzir, outras foram desertando, as que ficaram passavam a dormir no telhado...
No espaço de um ano desapareceram todas...fiquei apenas com as fotos e com os bons momentos que passei! Eis a efemeridade das coisas, não das memórias...
Avô, as pombas voaram, quiseram partir, mas triste é quando as circunstâncias não nos deixam restar e somos obrigados a partir...


António Campos Soares

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Memórias de Café XII - Pesca e artimanhas

Era a festa do décimo aniversário de uma prima, em Outubro de 1998. Estavámos em casa dela, estava quase toda a minha turma do 5º ano. Teríamos todos as mesma idade.
A festa estava ser divertida, mas eu sabia que ali perto havia um ribeiro, onde costumava pescar com o meu avô e lembrei-me de sugerir:
- Vamos à pesca?
- P'ra onde?
- Há um ribeiro naquele campo de milho e não precisamos de canas - disse eu triunfante por captar a atenção de toda a gente.
Enumerei uma lista de objectos a reunir e lá fomos a cochichar pelo caminho, receosos e desconfiados, pois, eu tinha dito, como sempre me dizia o meu avô, que era proibido pescar ali, por causa da venatória.
Ao chegar ao ribeiro, escolhi o melhor sítio, onde se conseguia ver os peixes.
Pedi para me darem um frasco de vidro e o cordel, que eu atei, com um laço, à volta da boca do frasco. Coloquei um bocado de miolo de broa lá dentro e lancei o frasco ao ribeiro, que não devia ter mais de 30cm de profundidade.
Todos me rodeavam e tentavam ver o que passava. Ninguém falava, pois, alguém soltaria um "shhhiu" sibilante. Ninguém queria espantar os peixes.
Foi então que uma "panxorca" entrou no frasco, esperei que chegasse ao pão, que estava bem no fundo e, então, astutamente, puxei o cordel e, para espanto de todos, vinha um peixe lá dentro.
Todos quiseram ver o peixe!
Fomos para casa da minha prima. Pelo caminho, espreitávamos o peixe para ver se estava bem e, sempre que passava um carro, escondíamos o frasco, com receio.
Chegados a casa dela, pusemos o peixe num aquário que ela tinha e a festa continuou, com os parabéns e muito bolo.
Quem não gostou muito da brincadeira foi o meu avô que, uns dias mais tarde, em conversa com os pais da minha prima, veio a saber da façanha, no entanto, não disse nada aos meus pais, que ainda hoje acho que não o sabem, e, apesar do raspanete, sei que ele achou piada à artimanha.
Uns meses depois, a minha prima deu-me o peixinho e ainda durou uns longos anos no meu aquário, aquele que hoje já não existe...
Alguém dos presentes nesse dia ainda se lembra deste episódio?
Bons tempos!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Memórias de Café VII - Há uma necessidade...

Há uma necessidade tremenda de ficar acordado, e marcar os segundos com palavras, as horas com poemas, a noite com criações.

Há uma necessidade enorme de não adormecer, por haver mais um verso para escrever, mais um pensamento para libertar.

Há uma necessidade inquestionável de sentir o frio da noite a entranhar-se corpo adentro, enquanto vagueio, relembrando façanhas de outros tempos, ditando divagações que me mantêm acordado.

Há uma necessidade desmedida de encarar a noite com livros intemporais, em diálogos imaginários com Eça, Camilo, Quental ou mesmo Poe.

Há uma necessidade inviolável de partir, sem destino, sem saber onde verei o amanhecer.

Há uma necessidade calada de dormir, há tanto para fazer, tanto para descobrir e partilhar.

Há uma necessidade extrema de ficar aqui….e escrever até sucumbir à fragilidade humana de cair nos braços de Morfeu.


António Campos Soares