domingo, 2 de junho de 2013

Memórias de Café XV - O Nero

O meu avô António era caçador!
Pelo menos tinha sido mas a licença caducou. Um dia disse-lhe que gostava de ir à caça com ele, mas nessa altura a doença já o tinha tornado débil e nem tínhamos cão de caça. Ainda assim ele fez-me a vontade: renovou a sua licença e arranjou um coelheiro de caça, o Nero.
Não fomos muitas vezes à caça, naquele ano a doença já tinha tido alguns avanços. Ainda assim ele treinou o Nero e fomos caçar algumas vezes, mas nunca conseguimos nada. Hoje entendo que aquilo foi uma bondade para satisfazer uma vontade.
Entretanto, voltou para o hospital com o agravar da doença, mas  Nero continuava connosco. Era um cão de pequeno porte castanho claro, muito afável e companheiro.
Quando o meu avô teve uma recaída inesperada e teve que ser internado, não durou muitos dias para que o Nero arranja-se maneira de quebrar a sua corrente e fugir. Depois de algumas semanas o meu avô voltou para casa e ficou desgostoso quando soube da notícia. Todos os dias ia ao fundo do quintal e olhava com tristeza para a casota vazia. Mas não tardou mais de uma semana a um vizinho encontrar o Nero a vaguear a uns quilómetros de casa, na zona onde costumávamos caçar. Que alegria foi aquele reencontro.
No verão desse ano, o meu avô voltou a piorar, ao ponto de ser novamente internado já sem esperanças de voltar a casa e poucos dias antes da sua partida, o Nero voltou a arranjar maneira de escapar...desta vez para nunca mais voltar!
Tenho-me lembrado disso ultimamente, pois agora temos um cadelinha lá em casa, a Sura, que está sempre a farejar no meio dos arbustos à procura de alguma coisa. Tem bom faro!
Ias gostar muito de a conhecer!

Um abraço eterno e até já =)


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